
Uma outra Paris.
Foi essa a minha sensação durante a nossa lua de mel na cidade. Em minha primeira viagem, em 2005, tive amigos por perto, mas caminhei sozinho a maior parte do tempo. Acompanhado desta vez de minha querida, experimentei ainda mais da capital francesa.
A começar pela inevitável Torre Eiffel. Ela me impressionara antes, quando a via diversas vezes de longe ao dobrar esquinas ou mais de perto na tarde em que circulei pelos seus jardins e pelo Trocadéro.
Nessa segunda oportunidade, incorporei novamente o espírito do turista deslumbrado. Bobo até, porque é esse o efeito contagiante de Paris.
Subimos os dois de elevador até as alturas da torre, e confesso que o passeio é imperdível. Mas deixo a dica: no inverno, prepare-se para o desconforto. Ficar parado na fila enquanto o elevador não chega e com o vento frio indo e vindo incomoda. Mas vale a pena resistir: a vista do topo, em que vidros protegem os visitantes, é imperdível.
Um detalhe nos chamou a atenção: o Le bar à Champagne. Sim, o minúsculo bar (um balcão, na verdade) serve taças de champanhe no topo, a 276 metros de altura. Mas atenção aos preços: de 10 a 20 euros.
Outra dica (e talvez a mais útil): minha querida teve a sábia ideia de comprar as entradas com antecedência pela internet. Pode parecer óbvio, mas não é: as filas das bilheterias continuam enormes apesar da comodidade! Muitos ainda não compram on-line e pagam o preço de uma longa espera à espera de sua vez no guichê.
Outra incrível descoberta juntos: a tradicional Shakespeare and Company, e sua inconfundível frase de boas vindas:
Be not inhospitable to strangers lest they be angels in disguise
A tradicional loja é um caos. Que acolhe e reanima, como um sebo. Com a diferença, lógico, de estar na França, em Paris, no Quartier Latin e de frente para a Notre Dame, na margem oposta do Rio Sena.
Para quem ama ler e encontra nos livros uma importante razão para viver, a Shakespeare and Company é mais do que uma visita turística. É uma experiência de camaradagem e de pertencimento: todos ali parecem reconhecer nos demais a mesma necessidade de leitura, e juraria ter notado em mais de um cliente com quem cruzei um sorriso discreto de canto de boca, em demonstração de cumplicidade.
No andar de cima, em um cômodo de prateleiras envergadas e livros empilhados sobre o esquecimento, um rapaz apoderou-se de um piano velhaco, distraindo-se solitário em seus acordes:
Dica: pergunte pela biblioteca de Sylvia Beach, fundadora da casa, e acomode-se de frente para a janela, com vistas para a Notre Dame.
Minha segunda Paris teve mais, e o post continuará.
Merci beaucoup, Paris.















